foto de Spencer Tunick

domingo, 31 de julho de 2011

Se não fosse senão

que teu nome se não
me diz mais nada
me diz senão
que ainda te escuto

versículo três

os meus dias passam devagar de vagar tanto pelos teus pelos.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Reverbero o verbero do verbo (ou A porra)

o que me aporrinhas
é teu verbo áspero
& teu olhar azul
envergonhado

terça-feira, 19 de julho de 2011

Soneto internado em terno

Eu recuso a tecnologia por tu.
E vou escrever estes verbos
na modernidade d'uma olivetti
p'ra provar que sou sublime.

Que se eu ouso pensar em algo
senão tu, minha mente em flagelo
se põe a viver no instante agora
corpulento a vida depressiva.

E na entrelinha dos versos
nossas roupas esquecidas
se perdem pelas barracas

e em troca restam os pelos
que é o futuro peticionado
p’ra deixar de ser engravatado.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

ao arrepio

eu quero maldizer o mundo
em linhas de um caderno antigo
jogado às traças e mais bonito
que as letras mortas & virtuais
do computador que te me sufoca
pelas conversas arquitetadas
no lado de trás das retinas

porque tu que me és
meu ser em tempos
de apaixonite aguda

ventos que os pelos carentes sentem
nas noites que não passo ao teu lado.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

verbos e verbetes p'ro agora

parasita abstrato
que decepa flores
não tenho olfato
não olvido odores
no ouvido as dores

no vão do porão
da memória
as cores da dor
os odores da cor
as dores da flor

(tu te deitas, não me ouves
& a orquestra de silêncios
me vive vestida de palavra)